terça-feira, abril 24, 2007

NÃO À EXCLUSÃO DOS TRABALHADORES INSERIDOS NAS EQUIPAS DE RSI
PELA VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL DOS
EDUCADORES SOCIAIS E ADMINISTRATIVOSACÇÃO DE PROTESTO
1 de MAIO
Pré-Concentração, no jardim junto à Sede do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social
(Praça da República, n.º 56 – 4º - Porto)
14:00 horas
Contamos contigo!

Resultado das Proposta do Plenário para medidas de intervenção no processo RSI

21 de Abril de 2007


- As equipas continuarem constituídas do mesmo modo e como de acordo à primeira circular interna apresentada pela segurança social, mas a com a possibilidade de inserção na equipa de 1 auxiliar de acção directa com formação especifica para prestar ajuda técnica;

- Enviar 1 documento/ Petição com assinaturas

- Enviar uma carta do nosso advogado a contestar o decreto publicado

- Cada educador social, pessoal administrativo, uma vez por semana deve enviar durante o próximo mês uma carta, com a exposição do que se passa (podemos pensar num texto modelo) para provocar apenas incomodo de modo a suscitar um certo desconforto

- Organizar uma manifestação em Lisboa com todos os educadores e trabalhadores que estão actualmente nesta situação, onde será entregue uma monção que está a ser assinada agora, tal como fizemos em 2002 quando entregamos a proposta dos ed sociais em equipas da seg social, como é o caso dos actuais protocolos em questão.

- No caso de nada resultar, podemos pensar num processo colectivo e até mesmo
individual dos nossos sócios para iniciar processos jurídicos ao Governo.

NÃO À EXCLUSÃO DOS TRABALHADORES INSERIDOS NAS EQUIPAS DE RSI


Comunicado
23/04/07


NÃO À EXCLUSÃO DOS TRABALHADORES INSERIDOS NAS EQUIPAS DE RSI

PELA VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL DOS
EDUCADORES SOCIAIS E ADMINISTRATIVOS

ACÇÃO DE PROTESTO

Vimos por este meio, na sequência do Plenário realizado em 21/04/07, na Universidade Portucalense, - e uma vez que haverá no dia 1 de Maio um desfile de milhares de pessoas, na Praça General Humberto Delgado – Porto, comunicar que vamos fazer neste dia uma grande Concentração de Educadores Sociais e demais trabalhadores inseridos em equipas de RSI, afim de denunciar a grave situação que lhes querem impor, participando de uma forma autónoma, no referido Desfile, que como se sabe terá uma forte cobertura da Comunicação Social.

Apelamos à participação de todas e todos que estiveram presentes na reunião no dia 21/04/07 e à mobilização de demais colegas que se encontram em risco de desemprego.

Haverá uma Pré-Concentração, no jardim junto à Sede do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social, (Praça da República, n.º 56 – 4º - Porto), pelas 14,00 horas, a que se seguirá a deslocação sob um painel alusivo aos problemas e objectivos da nossa Luta, até à Praça General Humberto Delgado, prevendo-se durante o desfile a distribuição de comunicados à População.

Aproveitamos a oportunidade para informar que seguiram, nesta data, cartas ao Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, ao Instituto de Segurança Social (Lisboa) e aos Grupos Parlamentares da Assembleia da República para pedido de entrevistas urgentes.

A Luta é de emergência.

Todos na Concentração dos Educadores Sociais na Praça da República, no Porto.


O Grupo de Trabalho dos
Educadores Sociais Portugueses

Abaixo assinado

Caros colegas,

Não é possivel colocar aqui uma tabela o formato nao permite no entanto deixo-vos ficar os elementos para o baixo assinado e voces proprios podem fazer a tabela.



Nome
Bilhete de Identidade
Profissão
Protocolo


obrigada

Saudações educativo sociais

Ao Instituto da Segurança Social, I.P.




Assunto: Exclusão de Educadores Sociais nos protocolos do RSI


Exmos. Sr(s).:

Os protocolos foram celebrados em 2005, pelo período de dois anos; encontrando-se por isso, a ser renovados no corrente ano. Cada Protocolo é constituído por uma equipa multidisciplinar com: 1 Educador Social (a 100%), 1 Assistente Social (a 100%), 1 Psicólogo (a 50%) e um Administrativo (a 50%). De acordo com a comunicação interna da Segurança Social de 2005, o Técnico Superior de Educação Social era considerado um técnico de grande destaque, cujo cargo deveria ser valorizado e impreterivelmente considerado, junto enviamos cópia da comunicação.

O Instituto de Segurança Social (Lisboa) decretou a renovação desses mesmos protocolos, contudo com alterações significativas. Estas alterações passam essencialmente, por dispensar os Educadores Sociais, sendo estes substituídos por 3 ajudantes da acção directa.

Estas alterações foram regulamentadas pelo despacho n.º 451/2007 de 10 de Janeiro (anexo 1).
É ainda de referir que as ajudantes da acção directa que pretendem contratar, basta possuírem o 9.º ano de escolaridade e as tarefas que lhe são impostas passam por:

· Estabelecer uma relação de proximidade e de confiança com a família e um conhecimento adequado das dinâmicas familiares …
· Estabelecer prioridades e criar condições para o envolvimento activo da família nas das acções que integram o programa de inserção
· Apoiar as famílias, no processo de intervenção estimulando a participação de toda a família
· Desempenhar / participar nas tarefas do quotidiano familiar, numa perspectiva pedagógica e de suporte à sua realização, incorporando novas aprendizagens, com vista a uma melhor organização familiar e economia doméstica
· Contribuir para a educação para a saúde e para os cuidados pessoais
· Estimular e desenvolver com a família conhecimentos sobre as diversas áreas das competências familiares e sociais básicas
· Ajudar a planificação em actos essenciais à vista
· Articular com os gestores de caso
· Promover integração grupal e social
· Planear, organizar e desenvolver actividades na comunidade ou no domicílio
· Incentivar os indivíduos a desenvolver a sua criatividade e inovação

Como é de imaginar, todos os Educadores Sociais nesta situação sentem-se injustiçados, pois estão a tentar substitui-los por profissionais que não possuem qualificações para desempenhar as competências acima descritas, que dizem respeito apenas e de acordo com o Perfil Profissional, aos Educadores Sociais. Em algumas situações até existem mesmo protocolos a proporem que os mesmos técnicos continuem a exercer as suas funções normalmente, mas na categoria de auxiliares de acção directa.

Os Centros Distritais da Segurança Social, quando informaram estas alterações às instituições que possuem protocolos, foram confrontados por estes profissionais, sobre o motivo pelo qual estavam a dispensar o serviço dos Técnicos Superiores de Educação Social. Os Centros Distritais justificaram que os educadores sociais não estavam a desempenhar as suas funções correctamente, funções essas que foram orientadas até hoje por coordenadores locais e distritais do próprio Instituto. Contudo e mesmo assim, nunca nos chegou às mãos dos técnicos, um documento escrito com o tipo de trabalho/competências que se esperava de cada um.

Durante estes dois anos, cada equipa realizou avaliações semestrais, que consistiam no preenchimento de uma grelha, que se baseava unicamente na contagem dos processos em acompanhamento, dos processos cessados, do n.º de pessoas que requereram o subsídio, etc.
Estas avaliações eram feitas em equipa, nunca tendo sido discriminado o trabalho realizado pelo Educador Social, Assistente Social, ou pelo Psicólogo. Não conseguimos por isso encontrar justificação para se afirmar que o trabalho do Educador Social, não foi ou está a ser realizado adequadamente. Aliás nas reuniões que tivemos com o coordenador local e com as Coordenadoras distritais, sempre fomos felicitados pelo trabalho realizado até aos dias de hoje.

Nós, Educadores Sociais, nestas equipas de protocolos para além de fazermos acompanhamento/intervenção às famílias beneficiárias, realizamos programas de inserção e planos de intervenção individuais, assim como também acções de formações grupais e algumas ainda a nível concelhio.

O Técnico Superior de Educação Social foi inserido na equipa técnica dos Protocolos estabelecidos entre a Entidade Distrital da Segurança Social e as Instituições Particulares de Solidariedade Social no âmbito do Rendimento Social de Inserção, dada a sua formação particular na identificação de problemáticas sociais, levantamento de necessidades e criação de programas específicos para resolução das mesmas.

Para se poder solucionar problemas, primeiro é essencial conhecer as vivências dos grupos sociais, as suas práticas, os seus défices e todo o meio envolvente, familiar e ambiental, para que os utentes tenham um papel activo no seu processo de mudança, não correndo assim o risco de se promover programas de inserção que não incentivem o envolvimento dos beneficiários. Desta forma, foi inicialmente utilizado o diagnóstico técnico como instrumento de recolha de dados apreendendo-se a partir deste, para além de outras necessidades, a necessidade de um apoio psicossocial continuado, de forma a aumentar nos beneficiários a motivação para a mudança e combater assim a acomodação e o conformismo com a situação actualmente vivida pelos mesmos.

O trabalho do Técnico Superior de Educação Social tem-se focalizado em atendimentos no serviço e no domicílio, procurando através destes conhecer e intervir com todos os elementos das famílias promovendo e estimulando, ao nível educativo, social, profissional e cultural, atitudes de maior participação e de iniciativa quer na família, quer na comunidade onde se encontram inseridos.

Nesta altura do desenrolar do protocolo, através do trabalho em equipa e articulação de saberes, já se atingiu um nível de conhecimento da população necessário para se desenvolver um conjunto de acções de formação em diversas áreas de intervenção, tais como:
Saúde:
Planeamento familiar,
Doenças infecto-contagiosas,
Higiene oral e pessoal,
Nutrição e cuidados de saúde,
Alcoolismo.

Emprego:
Técnicas de procura activa de emprego,
A entrevista,
Elaboração de Curriculum Vitae e cartas de apresentação.

Habitação:
Gestão económica e habitacional.
Educação/Formação:
Sensibilizar os pais para a participação activa no percurso escolar dos filhos,
Informar os beneficiários sobre os cursos de dupla certificação (escolar e profissionalizante);

Ao mesmo tempo, grande parte da população beneficiária já se encontra igualmente motivada para a mudança, beneficiando assim de todas as acções programadas.
Neste momento tão importante da intervenção da equipa técnica do protocolo, não se compreende a mudança, que retira o Técnico Superior de Educação Social da equipa de intervenção. Consideramos, que esta alteração vem prejudicar a relação de confiança e empatia estabelecida entre o técnico (educador social), os beneficiários e a própria equipa interventiva. A passagem dos processos familiares acompanhados pelo educador para um outro técnico vai não só originar um retrocesso de todo o trabalho familiar desenvolvido, mas também adiar a autonomização dos agregados familiares.
Segundo a formação dos Técnicos Superiores de Educação Social, os beneficiários deverão ser sempre os sujeitos centrais de toda a intervenção sócio-educativa, intervindo nas suas necessidades e interesses, algo que vemos neste momento a ser adulterado.
Neste sentido, solicitamos a intervenção de Sua Exa. na solução desta situação, convocando desde a marcação de uma reunião, para discussão destes pontos, de modo harmonioso, acreditando que este equivoco, não passa apenas disso mesmo.
Em nome de todos os Educadores Sociais Portugueses e do Grupo de Trabalho Nacional de Educadores Sociais, conto com a disponibilidade e compreensão de V. Exa.


Com os melhores cumprimentos,


Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social
Grupo de Trabalho dos Técnicos Superiores de Educação Social Portugueses
Técnicos Superiores de Educação Social Portugueses

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Porto, 23 de Abril de 2007


















































































































































































































































































































































quarta-feira, abril 18, 2007

Caros colegas,

Está confirmado, dia 21 de Abril auditório 105 da Universidade Portucalense ás 10 horas da manhã.

Contamos convosco!

esclarecimento

Caros colegas,

Continuo a aguardar confirmação do local do Encontro, amanha mesmo tentarei falar novamente com Universidade Portucalense, senão procurarei outro sitio. O encontro continua a ser sabado às 10 horas.

Tenho recebido algumas mensagens de colegas de Serviço Social que ficaram um pouco magoadas com as guerras de terreno que mencionei aqui no blog (já retirado), quero deixar claro que nao é uma opiniao minha, algumas colegas têm vindo ao longo deste último ano apresentado algumas queixas de alguns coordenadores de equipas, assist sociais. Eu acho que são muito importantes quer os assist sociais quer os educadores e ainda bem que nem todos pensam o mesmo e que temos colegas de serv social que estarão presentes no sabado a mostrar a sua solidariedade, mas a verdade é que nem todos os colegas pensam assim e por isso é preciso sensibilizar trazer o assunto à mesa e discuti-lo para acabar com esta confusão de funçoes e ate problemas entre equipas como tenho tido conhecimento.

Gostava ate de salientar que eu mesma defendo que as equipas devem contemplar obrigatoriamente um assist. social e um ed social pois ambos se complementam, o que é preciso é deixar isso bem claro e nao andarem por ai ed sociais a desempenhar funçoes de assist social e vice versa como tem acontecido. Penso que nao é positivo para ambos.

Obrigada e desculpem se nao fui clara.

quinta-feira, abril 12, 2007

RSI e dispensas de Ed sociais

Olá Colegas,


No âmbito do que se tem vindo a saber sobre a não renovação dos protocolos do RSI com Educadores Sociais, mais que nunca os educadores sociais têm de se unir, por isso, como representante da nossa profissao do Sindicato dos Trabalhadores da Saude Solidariedade e Segurança social, posso vos dizer que já estamos a tomar medidas, mas temos de estar todos unidos, senão nada resulta. Já existe um grupo de ed sociais ligados aos protocolos a fazerem um levantamento do que se passa para nos encontramos dia 21 deste mes para um plenario em local a confirmar brevemente, às 10 horas.

Deixo-vos aqui o correcto enquadramento profissional do Ed. Social e que ja se encontra em negociaçoes para ser aprovado no estatuto o perfil de competências do ed social, já provado em plenario, para usarem sempre que necessitarem:

O educador social é um profissional com formação superior, que actua formativamente perante indivíduos, grupos ou comunidades, crianças, jovens, adultos ou idosos e numa perspectiva de prevenção e reabilitação dos problemas sociais. Actua em tecidos sociais fragilizados.

No exercício das suas funções presta ajuda técnica com carácter educativo, social, formativo e cultural a indivíduos, grupos e comunidades, no sentido do desenvolvimento das competências e da melhoria das condições de vida dos seus destinatários. Promove, dinamiza, apoia e concretiza actividades de acordo com as seguintes competências e tarefas:

a) Trata de forma terapêutica e sócio pedagógica, pessoas frágeis, em desvantagem social e ou excluídas da vida social, tentando criar um bem-estar psicossocial no indivíduo;
b) Acompanha famílias, toxicodependentes, pessoas com deficiência, crianças em risco, idosas e todas as classes sociais desfavorecidas;
c) Fomenta a consciencialização e interiorizarão de competências pessoais e sociais, promove a educação permanente e formação contínua dos diversos indivíduos desajustados socialmente, recorrendo sempre a técnicas e metodologias pedagógicas;
d) Organiza e coordena actividades de animação sócio – cultural, sessões educativas, dinâmicas de grupo e actividades de tempos livres, através de métodos sócio – pedagógicos, junto de diversos grupos sociais, acompanhando e desenvolvendo uma melhor realidade social;
e) Promove e desenvolve competências de integração social do indivíduo valorizando a sua participação no grupo, na família e na comunidade;
f) Efectua investigação, analisa e avalia meios sociais, problemas de foro psicológico, através do levantamento das necessidades e carências sentidas, de forma a criar programas e encaminhamentos no sentido da resolução dessas mesmas problemáticas;
g) Elabora e desenvolve projectos de intervenção, programas educacionais, de cariz social, no que se refere à prevenção primária, secundária e terciária, destinada a população de risco;
h) Proporciona ao grupo alvo a aquisição de conhecimentos multiculturais, desenvolvendo atitudes, competências e valores relativos ao respeito pela diversidade cultural da sociedade;


qualquer coisa entrem em contacto comigo.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Educação social de rua

Oliveira, Walter Ferreira de (2004) Alegre: Artmed.
250 pp.
ISBN 85 363 0326-3
Resenhado por Vanise dos Santos Gomes
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Junho 16, 2006


Escrita reflexiva, convidativa ao questionamento, instigante à
leitura. Poderia assim adjetivar o livro escrito por Walter
Ferreira de Oliveira. Com 223 páginas, o autor utiliza-se de
grande sensibilidade e apurado sentido social crítico na escrita
dos oito capítulos que compõem “Educação social de rua: as bases
políticas e pedagógicas para uma educação social”. Propõe repensares a
respeito de problemáticas sociais em nada recentes como a
pobreza, buscando, na dinâmica de olhares contestadores e
analíticos sobre a sociedade, um entendimento a respeito da
realidade vivenciada por meninos “de rua” de São Paulo e do
trabalho desenvolvido por educadores sociais de rua.
Walter de Oliveira bem expressa, logo na apresentação
de seu trabalho, que, “em meio ao clima de desesperança que
hoje vivemos no país, o objeto deste livro é uma prática plena
de otimismo consciente” (p.18). Pode-se dizer que sua escrita transforma-se em importante
ferramenta nas mãos de educadores, incentivando o conhecimento crítico do trabalho
daqueles envolvidos com a educação social de rua (ESR), bem como a compreensão de tal
trabalho dentro do específico contexto político-econômico em que é gerado.
É um livro de denúncias e de esperanças, de otimismo consciente, como diz o autor.
Consciente, porque suas argumentações não se prendem às tramas da ingenuidade, às
amarras do apenas olhar a realidade produzida em relação à pobreza, por exemplo, sem a
compreensão de seus porquês. É consciente, porque denuncia fatos, analisa-os, busca a
promoção de seu entendimento. É otimista porque faz da denúncia um instrumento de
crítica com vias para repensares e reconstruções.

Tendo, como foco central de análise o trabalho de educadores sociais de rua em São
Paulo, o livro materializa produções construídas a partir do curso de Doutorado realizado na
Universidade de Minnesota, expressando, também, caminhadas profissionais mais antigas da Educação Social de Rua 2 que apontam para os estudos realizados no curso de Mestrado em Saúde Pública, feito na mesma Universidade.

Walter de Oliveira demonstra ser escritor crítico e comprometido com o outro que é
excluído, compromisso este que se foi tecendo nas tramas de sua vida profissional, tendo
como nascente o interesse pelo fenômeno “meninos de rua”, quando trabalhava, enquanto
médico recém-formado, no interior do Estado do Rio de Janeiro.

Um trailer o levava ao interior daquele município por conta de sua participação em
um projeto de saúde pública. Ao seu olhar atento, não escaparam as características da escola
próxima ao local onde prestava seus atendimentos, como, por exemplo, a desvalorização da
cultura local. O que era característico da zona rural, como os frutos obtidos através das
plantações, não se fazia presente na escola. Além disso, a voz alterada das professoras para
com os alunos chegava até seu consultório como uma mensagem de não-comunicação entre
educando e educador.

A tensão entre a percepção das professoras a respeito de seus alunos e a sua própria
a respeito das mesmas crianças despertou a atenção de Walter e revelam, aqui, muitas das
nascentes de seus interesses enquanto pesquisador. Através deste olhar para trás e busca, no
já vivido, de causas de motivações atuais, é possível situar a produção de Walter dentro de
uma perspectiva que abrange seus percursos profissionais. Percursos estes que se vão
fazendo presentes nas palavras que escolhe para escrever seu livro, que se esparramam por
sua produção, significam suas escolhas temáticas, humanizam sua escrita.

Entre as contribuições de seus escritos para a educação brasileira, pode-se afirmar o
fato de seu livro compor um importante instrumento desafiador para analisar as estruturas
sociais atuais de forma historicamente contextualizada. Neste contexto, são levantadas para
análise questões relativas à pobreza, buscando-se compreendê-la a partir de uma séria e
comprometida análise dos fatores geradores de tal situação.

Tendo os holofotes de sua atenção direcionados para o trabalho desenvolvido por
educadores sociais de rua, o autor dá voz a tais educadores que, muitas vezes, percebem seus
trabalhos postos no anonimato. Mostra que eles têm rostos, voz, desejo. Coloca seus
trabalhos em evidência. Convida o leitor, a todo instante, a percorrer os caminhos por onde
esteve por ocasião da produção de seu trabalho de campo. Descreve ambientes, experiências,
pessoas, situações. Escreve sobre a proposta de trabalho dos educadores quando em ação
nas ruas. Empresta-nos seus olhos para que possamos também olhar a experiência destes
educadores de rua. Instiga-nos à leitura através de uma escrita perpassada por uma apurada e
refinada criticidade e sensibilidade.

A temática trabalhada é muito bem contextualizada a partir do exposto no capítulo 1,
“Educação social de rua: o que é e como surgiu”, quando explicita os cenários em que a educação
social de rua primeiramente manifestou-se, apresentando, desta forma, um relatório
histórico. Também neste capítulo, Walter Oliveira contextualiza a nascente de sua paixão
pela ESR, expondo, assim, os trajetos profissionais vivenciados. Não se detém em meras
descrições do vivido, mas avança para o campo da reflexão sobre a ação e, assim, constrói
mapas de caminhos percorridos e de questões problematizadas. Tais questões em muito
contribuem para que o leitor possa melhor compreender a ligação que o autor tem com a
temática que estuda.

No capítulo 2, “O universo dos meninos e das meninas de rua”, a maneira didática com que
as discussões são apresentadas incentiva à leitura. Quem são os meninos e meninas que têm
na rua sua moradia primeira? O que constitui a sub-cultura de rua? De que forma os
moradores da rua se constituem enquanto tal e, assim, constroem para si uma determinada
identidade? Nas tramas de suas relações entre si e com a sociedade, que culturas particulares
emergem, que formas de viver são expressadas? Estas são algumas das questões trabalhadas
neste capítulo, evoluindo de forma a possibilitar ao leitor uma aproximação das experiências
vivenciadas pelo autor.

Walter Oliveira passa a colocar em destaque, a partir do capítulo 2, a voz dos
educadores na materialização das palavras escritas. São citações que trazem ainda mais
dinamismo ao texto. Os depoimentos destes educadores contribuem para legitimar as
discussões emergentes. São palavras de pessoas que vão às ruas carregando a bandeira do
ideal de uma sociedade mais igual, que buscam estratégias de trabalho para que a realidade tal
como existe seja compreendida dentro de uma perspectiva histórica. São educadores que
buscam mediar o construir de uma conscientização por parte dos meninos e meninas de rua.
O contexto histórico, político, social, econômico e cultural do surgimento da
educação de rua no Brasil é trabalhado no capítulo 3, o qual intitulou “A emergência da educação
de rua no Brasil”. Como delimitação temporal, o autor detém-se nos anos entre 1970 e 1993.
Traz ao conhecimento do leitor, então, contextos específicos nos quais a ESR foi
impulsionada, respaldando, neste sentido, a fundamentação para um entendimento factual da
história da ESR no Brasil.

É com o título de “Pedagogia social na rua: a politização da espiritualidade”que Walter
Oliveira inaugura o capítulo quarto de sua obra, promovendo análises a respeito dos modos
como os educadores organizam sua “ação social e os fundamentos teóricos e práticos que
caracterizam esta ação”(p.87). Tais discussões são inauguradas como forma de possibilitar ao
leitor um panorama geral de campos teóricos de referência para a ESR. Centra sua atenção,
principalmente, em Paulo Freire, sobretudo na “Pedagogia do Oprimido”, assim como em
referenciais propostos pela Teologia da Libertação e pela Pedagogia da Presença.

Chama a atenção para as importantes contribuições do educador Paulo Freire para a
ESR. Enfatiza, neste sentido, que as problematizações por ele propiciadas a respeito da
realidade social vigente do oprimido e do opressor fornecem, aos educadores sociais de rua
da Praça da Sé, ferramentas para a compreensão da sociedade por meio de um olhar humano
que, acima de tudo, propõe-se à luta contra a opressão. As palavras de Walter, encontradas
na página 91, explicitam idéias construídas pelos educadores a partir da apropriação do
pressuposto Freireano: “[…] A partir daí, a intenção dos educadores de rua era ajudar as
crianças de rua, mas com respostas que transcendessem a assistência social. A expectativa do
educador era oferecer, além de seus serviços profissionais de pedagogo, compromisso
pessoal, envolvimento político e investimento emocional”.

No capítulo 5, sob o título de “Dos educadores românticos aos paladinos da lei”, o autor
fornece informações e análises a respeito do processo de constituição da ESR, abordando
seu surgimento, expansão e desenvolvimento. Escreve o texto de forma clara e pontual,
situando o leitor nas principais fases da ESR: romântica, política, profissional e legal. Ainda
traça esclarecimentos sobre a Pedagogia da Presença, a Pedagogia Política, a Pedagogia em
Meio Aberto e a Pedagogia de Direitos, pedagogias estas consideradas referências para os
educadores.

“A História Vivida nas Ruas: a prática cotidiana dos educadores sociais”, título dado ao sexto
capítulo de seu livro, representa a sistematização de achados elaborados a partir da
observação participante do trabalho de cinco professores (dos cinqüenta entrevistados e
acompanhados durantes os anos de 1992 e 1993) pertencentes a várias orientações filosóficas
e gerações de educação social, realizadas no percurso das saídas a campo. Mais do que
nunca, são múltiplas as vozes que se manifestam e que, juntamente com o autor, contam
vivências e experiências.

Educação Social de Rua 4

As descrições competentes feitas por Walter de Oliveira situam o leitor nos cenários
das experiências contadas, instigam-no a “caminhar” com ele e com os educadores por entre
ruas de São Paulo, a escutar estes profissionais, a compartilhar sentimentos de alegria e de
dor, ambos descritos como presentes em seus trabalhos. Neste capítulo, a atuação dos
educadores é observada de perto, sendo, para o leitor, quase que como uma real experiência
de participação, tão intensos são os diálogos, descrições e análises feitas por Walter.

Os Educadores Sociais continuam a ter voz ativa no capítulo que se segue, onde o
autor aborda temas emergentes anunciados pelos educadores. Suas vozes, assim, são o ponto
central do capítulo 7, denominado “O processo pedagógico social: fazendo, sendo e vindo a ser”. São as falas de 48 educadores entrevistados durante o ano de 1992 que ali se fazem presentes.
Educadores estes, conforme expressa o autor, que representam “diferentes gerações
profissionais, filosóficas, orientações ocupacionais e origem sócio-cultural” (p.172).
É interessante salientar que a ampla e diversificada amostra trabalhada pelo autor possibilita
riqueza na análise, promovendo uma compreensão mais abrangente da realidade estudada.
Já no título desta parte de seu trabalho, o autor anuncia o entendimento do processo
pedagógico como um curso contínuo e dinâmico. Nas formas verbais “fazendo”, “sendo”, e
“vindo a ser”, expressa dinamismo e uma visão que não se aprisiona em compreensões
limitadas sobre o fazer pedagógico nem, sobretudo, sobre os profissionais tecedores de tal
fazer.

Neste capítulo, é possível não somente “visualizar” os rostos particulares dos
educadores sociais participantes da pesquisa, mas também perceber suas feições próprias
construídas através de histórias pessoais e profissionais singulares. Motivos, desejos,
temores, propostas, alegrias, tristezas, esperanças. Todos, sentimentos que vão sendo
enunciados por diferentes vozes, com diferentes tons muito bem percebidos e escritos pelo
autor. Dilemas vivenciados pelos educadores são postos em evidência. No fluir de suas falas,
capturadas pela escrita de Walter, sentimentos ganham palavras. E palavras são pronunciadas
para contar ao outro significados do trabalho com a educação social de rua.

Na página 172, o autor expressa que “entender o trabalho dos Educadores Sociais
significa explorar, portanto, não só as suas práticas pedagógicas e comportamentais, mas
também o todo de suas realidades existenciais, sociais e políticas”. Para além do olhar técnico
sobre o educador, o autor olha-o com humanidade e respeito, respeito este que se manifesta
por meio da compreensão de que práticas pedagógicas específicas são produções de também
específicas formas de viver as relações no mundo e de lidar com as teorias disponíveis.
Walter continua, na mesma página, dizendo que “ […] adquirir um senso de quem são estes
educadores, o que fazem e porque é entendê-los como profissionais e como seres humanos,
com contradições, verdades e incertezas que se exteriorizam em suas atividades e crenças”.
O autor dedica o último capítulo de seu livro, “O novo contexto sóciopolítico e a nova
pedagogia social-popular”, a uma discussão crítica a respeito da realidade brasileira em relação à temática a que propõe estudo. Desta forma, traz à lembrança discursos de políticos a
respeito dos “meninos de rua”, assim como reportagens divulgadas na imprensa escrita que
enfocam esta mesma temática.

Denuncia políticas sociais para a infância e a adolescência como incapazes de desatar
“um nó crítico, que é o que fazer com/para os filhos da pobreza” (p.197). Afirma a
importância dos Conselhos Municipais de Direito e dos Conselhos Tutelares (Cts), denuncia
negligências e incompetências políticas, analisa o fenômeno da violência sob perspectivas
que possibilitam pensar o cenário político e social em que é gerado, desconectando-o, assim,
de uma vinculação exclusiva entre pobreza e violência. Chama a atenção para o fenômeno da
globalização, para a ideologia neoliberal dentro do contexto atual.
Refere-se ao controle da linguagem sob a ótica da subjetividade, ao interesse na formação de “coletivos consumidores” em detrimento da valorização de “pessoas e cidadãos”. Fala de “pobreza ética, cultural e social”, em crimes de violência cometidos não por meninos de rua cuja
situação de pobreza manifesta-se nas ausências, mas por jovens de classes privilegiadas
economicamente.

O livro de Walter é um desafio a pensar a educaçãosde rua. É um convite a refletir
sobre as estruturas econômicas, sociais e políticas que produzem as desigualdades sociais e,
neste sentido, constroem realidades como o crime e a impunidade. De forma crítica, analisa a
temática proposta, denunciando estruturações sociais geradoras de exclusão.
Indo além da simples visualização dos meninos e meninas de rua como sujeitos com
características de demérito, Walter busca possibilitar uma compreensão mais ampla e crítica
do assunto. Não deixa de abordar questões como o roubo cometido por crianças moradoras
de rua nem trata o assunto de forma a romantizar a questão. Ao invés disso, propõe
criticidade e lembra que meninos e meninas de rua vivenciam uma realidade que é
conseqüência de uma determinada estrutura social. Superando a condenação, então, Walter
propõe o lançamento de um olhar humano e exigente de uma compreensão não ingênua
sobre estruturas sociais e suas políticas de manutenção.
Dar conta, em apenas algumas páginas, de importantes questões trazidas pelo autor
seria uma meta não alcançável. Porém, é possível, sim, trazer à evidência impregnações
presentes no texto do autor que, ainda que produzidas aqui de forma sintetizada, dão-nos
noção das “paisagens” traçadas por Walter. Desenvolvendo suas idéias de modo claro e
sempre convidativo à leitura, o texto evolui com fluidez. Com discussões conectadas entre si
e bem elaboradas, o autor tece teias argumentativas sobre a temática a que se propõe o
estudo. E não fala sozinho. Ecoa, com a sua palavra, a voz de Educadores Sociais de Rua.
Expressa Walter, na página 217, que “um paradoxo do sofrimento é que ele pode
estimular a criatividade na tentativa da superação. Há muito sofrimento e, portanto, um
potencial de muita criatividade em todos os países”. São estas palavras que bem expressam
as características deste profissional. Representam denúncia e também esperança. Walter
Oliveira é um “otimista consciente”.

Acerca do autor do livro: Walter Ferreira de Oliveira Professor no Departamento de
Saúde Pública e chefe do Serviço de Saúde Pública do Hospital Universitário da
Universidade Federal de Santa Catarina. Doutorado e mestrado pela Universidade de
Minnesota, nos Estados Unidos.

Acerca da autora da resenha: Vanise dos Santos Gomes Doutoranda em Educação pela
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), participante do
programada de Estágio de Doutorado/CAPES na Universidade da Califórnia, Los Angeles
(UCLA), pesquisadora da CAPES, Mestre em Educação pela PUCRS.
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pelo Laboratório de Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Todas as informações são avaliadas pelos editores:

Educação Social de Rua 6
Editor para Espanhol e Português
Gustavo E. Fischman
Arizona State University
e
Laboratório de Políticas Públicas (UERJ)

Editor Geral (inglês)
Gene V Glass
Arizona State University

Editora de Resenhas Breves (inglês)
Kate Corby
Michigan State University
As resenhas são arquivadas e sua publicação divulgada por meio da listserv (EDREV). Education
Review é um signatário da Budapest Open Access Initiative.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

A Página da Educação Arquivo - Artigo "A Emergência da Educação Social!?"



Este texto responde a uma carta de Hugo Martins, publicada no número de Novembro de a Página. Essa carta pode ser lida também no endereço

http://www.apagina.pt/arquivo/FichaDeAutor.asp?ID=790

Em resposta ao artigo publicado em Novembro, dirigido em formato de carta aberta ao Sr. Presidente do Instituto Politécnico de Beja, gostava de esclarecer o papel do curso de educação social, pois e em concordância com o autor do artigo, Hugo Martins, a educação social não é serviço social nem este último o primeiro. Por essa mesma razão o que se passou na Escola Superior de Beja é lamentável e bem desagradável. Esta situação é completamente condenável, na medida em que estamos perante formações que remetem para papéis profissionais distintos e para práticas interventivas bem diferenciadas, ainda que, na minha opinião, muito complementares. Entendam que não estou aqui para satirizar profissões ou defender ideologias, mas sim para tentar desbloquear (pre)conceitos geradores de ruídos e equívocos que dificultam o trabalho de equipa e as dinâmicas de interprofissionalidade.Parafraseando, Delors (1996) “Um dos principais papéis reservados à Educação consiste, antes de mais, em dotar a humanidade da capacidade de dominar o seu próprio desenvolvimento”. A humanidade em cada homem, como defende Isabel Baptista, considerando que para tal é necessário “(…) introduzir o individuo no universo dos costumes, ajudando-o a fazer as aprendizagens que devem suportar a sua acção no mundo.”(1998). Um trabalho que deve acontecer em todas as etapas e contextos da vida das pessoas.De certa forma, podemos dizer que à Educação Social cabe, acima de tudo, ajudar a cumprir essa responsabilidade social, ocupando assim um lugar de “encontro” entre a intervenção educativa, a intervenção social e cultural. Ao contrário dos técnicos do serviço social, o educador social não intervém apenas numa base de «empowerment», como refere o artigo acima mencionado, “numa partilha de poder com o utente” durante o processo de aplicação de uma qualquer medida de apoio. Recorrendo de novo a palavras de Isabel Baptista, para a Educação Social, a pedagogia funciona como mais do que uma simples estratégia de intervenção. Ela corresponde ao próprio saber matricial dos educadores, chamados a desenvolver uma prática relacional subordinada ao princípio da educabilidade de todos os seres humanos. O educador social surge-nos assim como um actor e mediador social, um profissional da condição humana preparado para apoiar pessoas, ou grupos, com dificuldades (sociais, culturais, educativas) na concretização das suas aspirações e realizações pessoais. Enquanto técnico de relação, desenvolve o seu papel profissional sempre a partir de uma intenção pedagógica e de respeito pelo “Outro”, pela sua personalidade, vontade e desejo, tentando desenvolver com ele uma atitude reflexiva da sua condição humana e do seu próprio desenvolvimento.Consideremos, por exemplo, o papel do educador social nas escolas. Problemas como o absentismo, o insucesso escolar, a violência, a mediação entre a família e a escola, são questões que requerem uma intervenção sócio – educativa, baseada na escuta, no diálogo e no aconselhamento, que permite aos alunos e respectivas famílias, superar e aprender a gerir dificuldades, ansiedades, instabilidades, tomadas de decisão, nervosismo e/ou frustrações, sentidas no quotidiano escolar. Os educadores sociais podem funcionar aqui como mediadores na promoção da relação entre escola, família e comunidade. Eles podem ainda desenvolver planos de formação, dirigidos a toda a comunidade educativa, no âmbito da prevenção primária de comportamentos de risco, da educação para a saúde, cidadania, educação sexual, cuidados básicos de higiene, entre outros. Partilhando de um referencial pedagógico comum, os educadores sociais encontram-se em posição privilegiada para desenvolver uma acção educativa em pareceria com os educadores professores, ligando a educação escolar com a educação social. Finalizando, para quem leu também o artigo publicado na “república dos leitores”, facilmente entenderá que as duas correntes profissionais são diferentes e têm finalidades distintas. Por esta razão, consideramos indiscutivelmente censurável que o Ministério do Ensino Superior e o Ministério da Educação, homologuem cursos sem conhecimento prévio do seu correcto enquadramento. Se assim fosse, situações como a da Escola Superior de Educação de Beja, jamais poderiam acontecer e jamais se formulariam questões de concorrência e descontentamento entre profissionais. Cabe a todos nós, independentemente da diversidade de formação académica e profissional, promover quotidianamente, , nos diferentes espaços de intervenção educativa e social, um espírito de solidariedade e reconhecimento mútuo.

Autor do Artigo
Sílvia Azevedo
Técnica Superior de Educação Social. Mestranda em Ciências da Educação - Pedagogia Social da Universidade Católica do Porto. Membro Representante da Direcção do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde
silviazevedo79@hotmail.com

Inf. sobre o artigo
Jornal "a Página"Nº 153
Ano 15 Fevereiro 2006
Pag. 6

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Comissoes concursos

Concursos para as Comissões de Crianças e Jovens em risco:

Já sairam as candidaturas

net-empregos.com

sábado, dezembro 31, 2005

PROPOSTA ED SOCIAL BOLONHA

PROPOSTA PARA A FORMAÇÃO
DOS DIPLOMADOS
EM EDUCAÇÃO SOCIAL
NO ÂMBITO DO PROCESSO DE BOLONHA
38/44
JUSTIFICAÇÃO CIENTÍFICA, TÉCNICA E/OU PROFISSIONAL:
A designação de Educação Social atribuída ao curso surgiu pela perspectiva
epistemológica em que o grupo, autor da proposta, se baseou bem como pela natureza da
função técnica e profissionalizante prevista para os seus diplomados. EDUCAÇÃO,
porque representa intervenção com uma essencial vertente educativa, de proximidade e
preventiva, na medida em que se parte do pressuposto teórico de que através da intervenção
social se podem evitar situações de risco e se pode ajudar os grupos vulneráveis a construir
alternativas de vida. Este processo vai no sentido do desenvolvimento das pessoas, das suas
capacidades e competências, e, por essa via, dos grupos e comunidades a que pertencem.
SOCIAL por se referir à realidade social nas suas diversas dimensões e contextos. O social
é, assim, o contexto de actuação educativa da Educação Social, predominantemente não
escolar e informal.
A Educação Social perspectiva-se numa modalidade de intervenção ligada,
preferencialmente, ao campo social, com base numa perspectiva educacional podendo
ainda ser entendida como uma <>.
Cursos de Educação Social com as mesmas finalidades existem a nível internacional,
nomeadamente em Espanha, França e Canadá. Acresce ainda a circunstância de, a
designação de educador existir já há muito em Portugal, em prisões, reformatórios e outras
instituições, exercida por profissionais sem preparação superior.
Neste momento, pode considerar-se que esta designação está consignada, existindo
mesmo uma associação destes profissionais, o Conselho Nacional de Educação Social
(CNES).
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PERFIL PROFISSIONAL DO EDUCADOR SOCIAL
Ciclos
Perfil
1º ciclo
2ºciclo
Descritores
- Caracterização das realidades sociais
de intervenção;
- Concepção , construção,
desenvolvimento e avaliação de
projectos educativos;
- Capacidade de diagnosticar problemas
sociais em contextos de intervenção
- Intervenção em contextos
diversificados;
- Prestação de apoio e acompanhamento
individual e grupal;
- Articulação entre equipamentos
sociais, instituições e serviços.
- Articulação entre pessoas e
comunidade
- Trabalho em equipa
- Concepção , Gestão e Avaliação de
programas e projectos da
especialidade;
- Avaliação de Instituições ;
- Investigação para a Inovação
- Realização de actividades de carácter
formativo
- Interface com grupos de outras
especialidades
- Direcção de instituições e de
projectos de intervenção;
- Colaboração internacional e
cooperação para o desenvolvimento
- Coordenação.
40/44
COMPETÊNCIAS GERAIS DO EDUCADOR SOCIAL
Ciclos
Competências
Gerais
1º ciclo
2º ciclo
Competências
instrumentais
- Identificar problemas sociais.
- Caracterizar realidades sociais
(meio, grupos, instituições etc.);
- Utilizar metodologias e técnicas
de intervenção sociais;
- Conhecer as funções dos
equipamentos, instituições e
serviços sociais;
- Identificar, conhecer e utilizar
redes sociais de apoio
- Conceber e desenvolver
projectos de intervenção social;
- Avaliar a concepção, o
desenvolvimento e os resultados
dos projectos;
- Articular saberes de diferentes
áreas disciplinares;
- Produzir conhecimento científico.
- Conceber e aplicar projectos em
realidades específicas;
- Produzir conhecimentos numa área
particular de intervenção social;
- Construir e desenvolver projectos de
investigação –acção
- Capacidade para dirigir, coordenar e
avaliar programas, projectos e
instituições
- A par de uma cultura geral vasta

Carta aberta enviada à CNIS por email

Sou licenciada em educação social já há 5 anos e quase sempre trabalhei em organismos da CNIS, como por exemplo a Fundação Filos. Actualmente trabalho com população sem-abrigo e excluídos numa ipss na cidade do Porto. A razão pela qual escrevo relaciona-se com a questão do incorrecto enquadramento dos Educadores sociais. Para muitos pode não se justificar, mas deixa-me um pouco indignada o facto de os educadores sociais mais uma vez serem esquecidos nas negociações para esta última negociação da CNIS no que concerne ao novo contrato colectivo do trabalho que estive a analisar ainda à pouco. Não se entende como existem educadores licenciados desde 1999 e nos reajustes das tabelas o educador social além de não possuir a sua correcta definição de competências profissionais, ainda se encontra no quadro de pessoal altamente qualificável equivalente aos administrativos. Não se entende que de que forma todos os nossos colegas com quem partilhámos o esforço de equipa (psicólogos, técnicos de serviço social, outros), estão correctamente definidos e enquadrados em quadros superiores, assim como nós também o deveríamos estar. Parece justo à CNIS que técnicos como nós cada vez mais solicitados, a desempenharem papéis fundamentais, como por exemplo é o caso do Rendimento Social de Inserção (RSI), cuja circular da segurança social especifica bem a necessidade e obrigatoriedade da existência de um educador social, que continuemos a trabalhar como técnicos superiores, porque essas são as funções que nos exigem e ao fim do mês recebermos bem menos do que os outros técnicos com quem trabalhamos, desempenhando funções de igual responsabilidade e importância?! Ou será a hipocrisia deste Portugal, que prefere manter-nos como técnicos administrativos porque assim as IPSSS têm técnicos superiores por valores inferiores e muitas das vezes até os recrutam em substituição de técnicos de serviço social, porque somos mão-de-obra superior mas mais barata. Será justo também para os colegas de serviço social? Será justo para nós? Não trabalhamos todos para o bem-estar dos cidadãos mais carenciados? Não seria importante olhar para quem desenvolve trabalho tão duro como nosso e por vezes até mesmo ingrato e reconhecer o nosso trabalho de forma justa?
Gostaria que tomassem esta chamada de consciencialização e reflexão em conta e que até a fizessem chegar à direcção ou mesmo publica-la, porque não, aqui na página da CNIS. Deixo na consciência de quem é de direito!

Síliva Azevedo

Uma Educadora Social

quinta-feira, outubro 13, 2005

Encontro Europeu de Educação e Intervenção Social a decorrer nos dias 12, 13 e 14 de Outubro 2005 no ISCE, Odivelas...

PARTICIPEM!!!

sexta-feira, setembro 23, 2005

Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social

Dirigente Sindical - Educação Social

Sílvia Azevedo - Técnica Superior de Educação Social

Contact:22 200 43 23

Inscreve-te!!

Com mais pessoas podemos aumentar a nossa luta num maior curto espaço de tempo

terça-feira, setembro 06, 2005

Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade

Ontem estive em Lisboa com mais forças Sindicais para nos reunirmos com a CNIS, que mais uma vez desmarcou a reunião meia hora antes para que não fosse possível nenhuma negociação. A reunião foi convocada pelo Ministério do Trabalho, mas mesmo assim eles adiaram para dia 22 deste mês, sem confirmação. É de rir! Muitos colegas de sindicatos do norte e centro e Algarve tiveram que voltar para trás. Isto já aconteceu cinco vezes. Foi positivo na mesma porque reuni com alguns dirigentes sindicais da Fenprof, que não estavam muito sensibilizados com a nossa situação profissional e que depois de muitas horas de trabalho deram - nos algumas pistas e conselhos de intervenção. Vou de férias hoje e regresso dia 20, mas vou tentar estar sempre on-line para o fórum. Um conselho: A CNIS fala do novo contrato colectivo de trabalho que ainda não está aprovado nem assinado, porque as negociações aiinda nao foram feitas e para este contrato validar é preciso ser assinado por todas as forças sindicais que não foi. O que acontece é que este novo contrato diminui direitos e não faz actualizações das categorias dos trabalhadores, assim como por exemplo a nossa categoria, e muitas das instituições têm sido incentivadas a começar a fazer novos contratos. Tenham cuidado, não assinem nada nem aceitem nada porque isso ainda não está em vigor.

quarta-feira, agosto 17, 2005

Licenciatura em Educação Social ISCE Odivelas

Curso Bietápico d
Coordenação: Mestre Maria Fernanda Carvalho
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Cabe ao Educador Social, a prevenção e reparação de situações de dependência, exclusão e vulnerabilidade social; a inclusão e promoção comunitária das pessoas; o desenvolvimento de competências sociais.
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Objectivos do Curso
Formar profissionais na área da educação social em diversos domínios do social, qualificando-os para a intervenção junto de crianças, jovens e idosos em risco social, em comunidades e organizações ligadas à integração, recriação, reinserção e desenvolvimento.
Através da sistematização dos conhecimentos científicos adquiridos e da prática sócio-educativa, pretende-se com a obtenção deste curso que os alunos sejam capazes de:
- Identificar problemas sociais e desenvolver campanhas preventivas e programas de educação;
- Desenvolver competências de integração social do Jovem e do Idoso, valorizando a sua participação no grupo, na família e na comunidade;
- Desenvolver e manter no Jovem e no Idoso níveis de autonomia funcional capazes de responder a necessidades do quotidiano, despoletando atitudes que os façam investir numa melhoria da sua qualidade de vida;
- Descobrir e rentabilizar no Jovem e no Idoso potenciais de criatividade e inovação;
- Realizar, dinamizar e apoiar actividades de carácter educativo, cultural e recreativo.
Trabalhar em equipas integradas, visando a articulação de saberes multi, inter e transdisciplinares.
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Os licenciados em Educação Social desenvolvem a sua actividade profissional numa grande diversidade de instituições:
- Ministério da Justiça e Ministério do Trabalho e Solidariedade Social
- Autarquias e/ou Gabinetes de Intervenção Local
- Estabelecimentos prisionais
- Instituições particulares de solidariedade social
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Provas de Ingresso 2005/06
Uma das seguintes provas:
- Filosofia- História- Português- Sociologia
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Plano de Estudos

Disciplinas Tipo Carga ECTS Horária (Créditos)

1º Ano
– Pedagogia e Ciências da Educação
– Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem- Técnicas de Expressão Escrita do Português
- Expressão Visuo - Plástica - Educação Física
- Expressão Musical - Metodologia da Investigação em Educação - Noções Básicas de Saúde - Seminário de Investigação e Apoio Metodológico I
- Estágio I
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2º Ano
- Sociologia da Educação e Intervenção Comunitária
- Técnicas de Animação Educativa
- Dinâmica de Grupos e Integração Social
- Educação Especial e Terapêutica
- Movimento Expressivo e Dramatização Seminário de Investigação e Apoio Metodológico
- Estágio
– Política e Legislação Social
- Gestão e Intervenção Institucional
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3º Ano
- Seminário de Investigação e Apoio Metodológico III
- Estágio III
- História e Sociologia da Família
- Antropologia Social e Cultural
- Filosofia da Educação
- Patologias Sociais e do Desenvolvimento
- Problemática da Multiculturalidade e Minorias
- Ecologia e Educação Ambiental
- Opção I*
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4º Ano
- Pedagogia Social
- Problemática da Terceira Idade
- Temas da Cultura Contemporânea
- Projecto de Investigação e Intervenção Socio-Educativa.
- Tecnologia Educativa
- Sociologia das Organizações
- Teorias da Comunicação e Intervenção Social
- Etiologia e Acompanh. Educativo das Toxicodependências
- Opção II*

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EDUCAÇÃO SOCIAL Bragança

Escola: Escola Superior de Educação
Grau: Bacharelato+Licenciatura
Duração: 4 anos
Local de funcionamento: Bragança - Campus de Santa Apolónia -
Escola Superior de Educação
Regime de funcionamento: Diurno

Objectivos:
A relevância social do novo curso de Licenciatura em Educação Social, apoia-se nos seguintes argumentos:
Torna-se imperativo que o Ensino Superior Universitário e Politécnico assegure uma sólida e eficiente formação dos recursos humanos, partindo do espírito renovador da Lei de Bases do Sistema Educativo (Outubro de 1986) e legislação subsequente;
Evidente carência de recursos humanos qualificados e especializados, pelo que surgiu, na Escola Superior de Educação de Bragança, a aposta na área da Educação Social;
Necessidade de profissionais solidamente formados nas áreas das Ciências Sociais, Ciências da Educação e metodologias de investigação e intervenção social;
Promoção de um desenvolvimento sócio-cultural das populações, em contextos multifacetados e tendo como horizonte o exercício pleno da Cidadania;
Fragilização do indivíduo humano devido à perda de identidade e vazio relacional.
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EDUCAÇÃO SOCIAL

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A relevância social do novo curso de Licenciatura em Educação Social, apoia-se nos seguintes argumentos:
------------
- Torna-se imperativo que o Ensino Superior Universitário e Politécnico assegure uma sólida e eficiente formação dos recursos humanos, partindo do espírito renovador da Lei de Bases do Sistema Educativo (Outubro de 1986) e legislação subsequente;
- Evidente carência de recursos humanos qualificados e especializados, pelo que surgiu, na Escola Superior de Educação de Bragança, a aposta na área da Educação Social;
- Necessidade de profissionais solidamente formados nas áreas das Ciências Sociais, Ciências da Educação e metodologias de investigação e intervenção social;
- Promoção de um desenvolvimento sócio-cultural das populações, em contextos multifacetados e tendo como horizonte o exercício pleno da Cidadania;
- Fragilização do indivíduo humano devido à perda de identidade e vazio relacional.
Duração:O curso tem uma duração de 4 anos.Saídas Profissionais:
As saídas profissionais para os educadores sociais a formar, no quadro distrital, contarão com
um total de 173 (cento e setenta e três) instituições, a seguir discriminadas
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. Associações culturais e recreativas – 20 (vinte);
. Autarquias – 12 (doze);
. Hospitais – 12 (doze);
. Instituto Português da Juventude (IPJ)
. Instituições Públicas de Solidariedade Social (IPSS):
. Lares da terceira idade
. Lares residenciais
. Centros de acolhimento de dia
. Apoio domiciliário
. Jardins de infância
. Ateliers de Tempos Livres (ATLs)
. Centros de Actividades Ocupacionais (CAOs)
. Centros de Apoio à Toxicodependência (CATs)
. Serviços de Justiça (Instituto de Reinserção Social, Apoio aos serviços prisionais)
. Segurança SocialCondições de Acesso:
a) Regime geral
- Ser titular do 12º ano de escolaridade do Ensino Secundário ou de habilitação legalmente equivalente e ter realizado uma das seguintes provas de ingresso:
- Filosofia - Geografia - Português
b) Concurso especial
- Ter realizado exame extraordinário de avaliação de capacidade para acesso ao Ensino
Superior (ex-AD-HOC).
- Ser titular de Curso Médio ou Superior
- Ser proveniente de Sistemas de Ensino Superior estrangeiros.
c) Regimes de reingresso, mudança de curso e transferência.

quinta-feira, agosto 11, 2005

Ética Profissional Docente – em busca de um novo paradigma de referência (2)

O MOMENTO DEONTOLÓGICO DEVE SER VIVIDO COMO UM ESPAÇO PROFISSIONAL, MAIS UM, DE REFLEXÃO, DE NEGOCIAÇÃO E DE DELIBERAÇÃO COLEGIAL.

Pensada no quadro de um paradigma contemporâneo, superador da lógica dicotomizante que tradicionalmente divide as perspectivas teleológicas das perspectivas deontológicas, a ética profissional surge-nos como uma ética hermenêutica, profundamente enraizada no tumulto da vida e reflexivamente atenta aos problemas, dilemas, perplexidades, aflições e alegrias das pessoas concretas, seres de carne e osso, em busca quotidiana do seu bem-estar e da sua razão de ser. Filiando as nossas posições neste horizonte conceptual, fazemos depender as competências éticas dos educadores de uma sabedoria prática afirmada, também, na decisão sobre os princípios, regras e modelos de actuação. Afirmada, portanto, como deontologia.Todavia, inevitavelmente subordinado à ética, conforme insistimos em lembrar, o momento deontológico deve ser vivido como um espaço profissional, mais um, de reflexão, de negociação e de deliberação colegial. Ou seja, para que possa ser autêntico, para que faça sentido, este processo não pode ser desligado de um quotidiano protagonizado por pessoas singulares, em lugares e tempos historicamente determinados. Trata-se, afinal, de procurar desenvolver um campo axiológico específico que, como tal, possa funcionar como factor de coesão, de identidade e de dignificação pública. Autonomia, solidariedade, respeito pelo outro, recusa da violência e outros valores usualmente reclamados, não são exclusivos da actividade docente. Se queremos, de facto, afirmar um universo normativo próprio, alargando assim as margens que configuram o território de uma autoridade profissional, é necessário tentar ir mais longe e mais fundo. Alicerçados numa consciência pessoal eticamente investida, os princípios de carácter deontológico condicionam os modos de viver a relação com os educandos, com os pares, com a instituição e com a comunidade em geral. Grande parte das situações geradoras de angústia e de ambivalência moral surgem, justamente, da tentativa de compatibilização entre as diferentes dimensões da esfera relacional docente, obrigando-nos muitas vezes a tomar decisões na linha de fronteira entre o ético, o pedagógico, o legal e o técnico. É aqui que os referenciais éticos podem desempenhar um papel importante enquanto eixos de orientação, nunca de certeza ou segurança absoluta. Na verdade, desenhada à medida do humano, que o mesmo é dizer do imprevisível e do incomensurável, essa linha de demarcação não chega a ser totalmente definida e estabilizada, remetendo, sempre, para a perseverança de um esforço reflexivo, partilhado e paciente.Por esse motivo, confundir deontologia com a cristalização de regras abstractas, burocraticamente decididas no exterior da profissão, sem qualquer ligação com os tempos e os lugares onde se vivem, se sentem e se pensam os problemas, significa enveredar pela via da facilidade e da irresponsabilização. Porque tem que ser levado muito a sério, o momento deontológico não pode dissociar-se da realidade contextual que o justifica. Esta é uma das razões que nos leva a recusar confundir a discussão sobre a deontologia profissional com o problema da representatividade da classe. Quando embandeirada como simples instrumento de controlo, a questão deontológica surge-nos mistificada e empobrecida, demagogicamente colocada ao serviço de estratégias de poder privadas de uma legitimação real e sem qualquer respeito pela memória da profissão. Ora, sem memória não existe identidade, individual ou colectiva. Valerá então a pena reflectir sobre a memória social dos professores, procurando, também aí, indagar sobre os porquês de uma identidade profissional.

Autor do Artigo
Isabel Baptista
Universidade Católica, Porto